A peça “Fôlego” nos apresenta uma protagonista em uma situação bastante específica e bem distante de nossas vidas “saudáveis”, mas suas dúvidas, dilemas, medos e desejos são os mesmos que os nossos. Reconhecer-se em um mundo aparentemente distante é o que torna esta peça tocante para o público em geral. “Fôlego” é impactante porque todos nós, mesmo não sofrendo de epilepsia, nos reconhecemos em Jane pela possibilidade, sempre presente, do imponderável se estabelecer em nossas vidas. Buscamos todos alcançar e, por vezes, ultrapassar os nossos limites físicos e psíquicos. Será que é sempre possível alcançá-los? Assim como Jane, estamos sempre lidando com escolhas no nosso dia-a-dia. O tempo dela está correndo. Nosso tempo também. A todo custo e a toda hora é preciso tomar uma decisão. E nós corremos, seja para tomá-la mais rapidamente, seja para fugir dela.

A genialidade do texto de McNair, autor ainda inédito no Brasil que em pouco tempo de carreira já coleciona prêmios e torna-se rapidamente um dos nomes mais importantes do teatro britânico, está no fato de fazer com que o leitor se sinta dentro da cabeça da protagonista, que apesar de sofrer de uma doença séria, mantém um peculiar estado de bom humor.

Para entender melhor a condição de Jane e seus aspectos concretos, Priscila Paes, atriz desse monólogo, contou com a colaboração da equipe de assistentes sociais, psicólogos e médicos da Associação Brasileira de Epilepsia, e participou de encontros semanais com pessoas que sofrem desta doença. Essas pessoas também buscam um alívio para sua condição e algumas delas inclusive devem decidir se fazem ou não a cirurgia para retirar parte de seus cérebros. O contato com pessoas na mesma situação de Jane, que enfrentam as mesmas dificuldades e os mesmos dilemas que a protagonista da peça, é fundamental para poder colocá-la em cena de maneira precisa.

O enfrentamento dos limites é um dos pontos mais marcantes da peça e está presente na vida de todos. “Fôlego”, ao propor uma perspectiva tão visceral sobre as descobertas e redescobertas dos limites de um corpo, é de importância fundamental para que confrontemos nossos próprios medos, desafios e escolhas.

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Jane sofre de epilepsia e, contra todas as expectativas, descobre na corrida um modo de evitar as convulsões. Passa a correr todos os dias, diversas vezes, sempre que sente que está para convulsionar – e isso parece ter resolvido o problema. Até que, depois de muito tempo, ela tem um novo ataque. Recebe, então, a notícia de que pode realizar uma cirurgia para a retirada de parte de seu cérebro, o que curaria sua doença, mas poderia deixar sequelas. Jane decide então participar da chamada “Corrida da Morte” no deserto de San Antonio. Ela se impõe as 110 milhas da ultramaratona como prazo para tomar sua decisão.

 
 

FICHA TÉCNICA

dramaturgia
tradução
direção
elenco
desenho de luz
espaço cênico
figurino
trilha sonora original
assistência de direção
assistência de iluminação 
assistência de figurino 
costureira
voz Run Pal
produção executiva
registro em foto
registro e edição de vídeo
operador de câmera
montagem
arte gráfica
mídias sociais
assessoria de imprensa
idealização
realização
Gary McNair
Priscila Paes
Kiko Rieser
Priscila Paes
Aline Santini
Aline Santini e
Kiko Rieser 
Kleber Montanheiro
Mau Machado
André Kirmayr
Pajeú Oliveira
Thaís Boneville
Ray Lopes
André Kirmayr
Jaddy Minarelli
Heloísa Bortz
Leekyung Kim
Marcelo Villas Boas
Pajeú Oliveira
Giovani Tozi
Jaddy Minarelli
Pombo Correio
Priscila Paes
Rieser Produções Artísticas

Projeto realizado com apoio do edital ProAC LAB nº 36

 

AGRADECIMENTOS

Adriane Galisteu, Bruno Perillo, Cristina Cavalcanti, Diego Andrade, Edinho Rodrigues, Edna Paes, Gabriel Hirschhorn, Laerte Mello, Lauanda Varone, Maeve Bolger, Marcos Junior, Marcos Paes (in memoriam), Nick Quinn, Patricia Paes, Pedro Granato, Samya Enes, Shona Cowie.

 
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